Cremos na comunhão dos Santos


No mês de novembro, somos conduzidos a contemplar, à luz da fé que professamos, o mistério da comunhão dos santos, cujo termo, conforme ensina o catecismo católico, possui “dois significados intimamente interligados: ‘comunhão nas coisas santas (sancta)’ e comunhão entre as pessoas santas (sancti)’ (Cf. §948).
A comunhão nas coisas santas diz respeito aos bens espirituais da Igreja: a fé recebida dos Apóstolos, os sacramentos, os carismas dados pelo Espírito Santo, a caridade fraterna. “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando, todos juntos, uma só igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e de seus santos está sempre à escuta de nossas orações” (Catecismo, §962). Por isso, as celebrações da Solenidade de Todos os Santos (01) e a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (02), expressam nesse mês toda a força dessa verdade de fé professada em nosso Credo. A Igreja venera e honra a multidão dos santificados, que já alcançaram a glória do céu, cujo número é muito maior do que podemos imaginar, conforme a Sagrada Escritura diz: “Eu vi ainda: o Cordeiro estava de pé no monte Sião, e perto dele cento e quarenta e quatro mil pessoas que traziam escritos na fronte o nome dele e o nome de seu Pai” (cf. Ap 14,1). Eles são nossos intercessores e modelos no nosso próprio caminho de santidade. Ela nos convida também à oração pelas Almas do Purgatório, os fiéis que completam sua purificação para poderem entrar no paraíso prometido, exortando-nos à oferecer penitências e lucrar as indulgências a favor delas. Honrar a memórias dos falecidos se fundamenta em nossa fé na ressurreição do Senhor, e manifesta a solidariedade que une a todos, levando-nos a trabalhar pela salvação uns dos outros. Por fim, no término do ano litúrgico, rendemos a devida glória e louvor a Nosso Grande Deus e Senhor Jesus Cristo, proclamando-O Rei do Universo (último domingo do mês), isto é, de todas as coisas visíveis e invisíveis, Cabeça da Igreja, princípio e fim de tudo, por meio do qual damos glória ao Pai, no Espírito Santo.
Demos graças a Deus, que nos concede beneficiarmos das graças que Ele nos prodigaliza, e vivamos na alegria de estarmos todos unidos numa só fé, como Igreja celeste, padecente e peregrina, tendo um único e mesmo Senhor, que é rico em misericórdia para com todos.
A paz dos Sagrados Corações esteja com você.
Pe. Paulo Bastos de Araújo, CCVE