“…mas um dos soldados transpassou-lhe o lado com a lança e imediatamente
saiu sangue e água.” (Jo 19,34)
Nos sacrifícios da antiga aliança, o sangue de animais era espargido sobre o povo como rito de purificação, que o tornava apto para prestar culto a Deus. Mas este sangue de novilhos e bodes era incapaz de purificar as consciências dos pecados cometidos; na verdade, era apenas uma imagem do que seria realizado em espírito e verdade no sacrifício da nova aliança, selada no sangue de Cristo, que, segundo a Escritura, é “mais eloquente que o de Abel”.
De fato, o Senhor Jesus “entrou uma vez por todas no Santuário (…) com o próprio sangue, obtendo redenção eterna” (Hb 9,12) para os que a Ele se entregam. É no batismo que todos nós somos lavados por este sangue poderoso, cuja eficácia nos renova por inteiro, e faz com que sejamos contados entre aqueles cento e quarenta e quatro mim que “lavaram suas vestes e alvejaram-nas no sangue do Cordeiro” (Ap. 7,4b). Já no Antigo Testamento, o sangue tinha valor de expiação, por ser considerado a sede do princípio vital. Pela oferenda do sangue, o homem que tivesse ofendido a Deus, ao transgredir a aliança, poderia ser reconciliado com Ele; porém, somente o sacerdote poderia realizar esta oferta. No Novo Testamento é Jesus Cristo o verdadeiro sumo sacerdote, que ofereceu-se a si próprio ao Pai por nós, como vítima de reparação pelos nossos pecados, derramando todo o seu precioso sangue pela nossa salvação. Por isso podemos nos aproximar “com confiança do trono da graça, a fim de obtermos misericórdia no tempo oportuno” (cf. Hb 4,16). Na grande batalha espiritual em que nos encontramos, o sangue de Jesus é o terror dos demônios, porque testemunha o infinito amor de Deus pela humanidade e a completa derrota de toda a obra do inimigo infernal.
Assim, com o sangue divino do nosso Redentor, selemos nossas vidas, famílias e tudo o que nos pertence, e seremos protegidos, curados e libertos de toda influência diabólica, e teremos força de perseverar até o fim no caminho da verdadeira fé. Adoremos ao Sangue de Jesus, derramado em nossos altares a cada Santa Missa! Que sejamos inebriados de sua virtude, pois ele é a bebida celeste que nos alimenta para a vida eterna!
Padre Paulo Bastos, CCVE
