
A vida se manifestou! Alegremo-nos todos, pois o Senhor se deu a nós. A Sua Vida, Ele quis que fosse a nossa. Por isso, se outrora caminhávamos sob a escuridão, às apalpadelas, confusos e perdidos, saibamos que agora não há mais trevas. Ele é a Luz e está no meio de nós. Abra os olhos! Veja, é o Senhor, é o Amor! Ele está aí e “é mais íntimo do que o nosso próprio íntimo” (santo Pai Agostinho).
Essa presença de Deus se faz perceber através da nossa comunhão com Ele – Pai, Filho e Espírito Santo. Ele mesmo nos ensinou: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem” (João 10,9). Esta é a dinâmica da comunhão, entrar e sair, coração e missão. Adentrar o Coração de Deus, o lugar do profundo encontro com Aquele que É. Somos, então, curados e renovados, encontramos com a Luz, encontramos conosco mesmos. A partir disso, nos achamos prontos: “Envia-nos, Senhor!” é a nossa resposta. Cheios de Sua Vida, queremos testemunhá-la como o maior de todos os dons: “O Senhor vivo está!”
No entanto, encontrar a Luz e estar nela, enfim, viver o amor, exige algumas doces consequências; ou melhor dizendo, exigências. Ora, se nos encontramos com a fonte de toda Luz, Vida e Comunhão, é de se esperar que também nós haveremos de ser fonte que jorre em abundância os dons que d’Ele recebemos (cf. A Samaritana, em João 4,14b). O discípulo amado soube entender isso; ele diz que a comunhão com Deus implica na comunhão de uns com os outros (cf. I João 1,7). O que será isso? Basta lembrar aquela jaculatória: “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso”. O Coração traspassado de Jesus é a porta, aberto para todos nós. Ter o coração semelhante ao d’Ele é ter um coração que consiga sair de si para unir-se ao outro, é formar um corpo, o verdadeiro e belo Corpo de Cristo. Comunhão uns com os outros é mais que algo em comum, afinidade ou coleguismo. Comunhão é resignação, é admitir que temos diferenças, mas que queremos ser um com Cristo em Deus; é amar.
Isso tudo é vontade de Deus! Pois, amando-nos, amou-nos até o extremo. O que é o extremo do amor, senão a profunda comunhão com o coração do outro? Ele quis também ardentemente comer conosco a ceia. O que é a ceia, senão a Eucaristia, a plena presença do Amor entre os homens? Portanto, a Eucaristia, o Corpo de Deus, é prova dessa vontade, unir-nos a Cristo e aos irmãos. Assim, o encontro profundo com o Amor, nos faz ver e entender que a nossa vida não é outra senão aquela de ser uma comunhão. Esta é a exigência para que o mundo creia que Ele está no meio de nós. A nossa comunhão é, pois, a prova de que encontramos o Amor e que o vivemos.